top of page

Como falar sobre futuro profissional com os filhos?

  • 16 de jun.
  • 3 min de leitura

Em muitas famílias, chega um momento em que o tema do futuro profissional dos filhos começa a aparecer com mais frequência.

A escolha se aproxima, o vestibular entra no horizonte e perguntas começam a surgir.

“E aí, já pensou no que vai fazer?” “Você já tem alguma ideia?” “Como imagina seu futuro?”

Muitas vezes, essas falas vêm de um lugar legítimo de preocupação, cuidado e desejo de ajudar, mas nem sempre são recebidas pelos adolescentes da forma como os pais gostariam.

Antes mesmo de nascer, uma criança já pode carregar expectativas sobre quem será, do que vai gostar ou que caminhos poderá seguir. Ao longo do desenvolvimento, essas ideias vão sendo transmitidas de formas explícitas ou sutis, nas falas da família, nas profissões admiradas ou pouco conhecidas, nas histórias de sucesso, nos receios, nas experiências vividas e nos sonhos que cada família constrói.

Na adolescência, tudo isso ganha força. 

É um momento em que o jovem está formando sua identidade, buscando autonomia, tentando se diferenciar e, ao mesmo tempo, ainda muito atravessado pelo olhar do outro, especialmente da família.

Nesse cenário, a escolha profissional envolve a forma como o jovem vê o mundo e como se vê nele. É atravessada por histórias, referências, valores e expectativas que o acompanham ao longo da vida. 

A influência familiar na construção dos projetos profissionais é inevitável. Ela acontece mesmo quando os pais não percebem ou quando tentam não interferir. 

O jovem não apenas escuta o que é dito, mas também sente o que é esperado dele.

Na decisão profissional, essa influência pode aparecer de diferentes formas: uma preocupação pode ser escutada como urgência, uma opinião pode ser recebida como expectativa ou um silêncio ser interpretado de várias maneiras. 

Muitas vezes o adolescente não consegue nomear tudo isso, mas sente medo de decepcionar. 

Medo de não corresponder, de escolher errado ou de se arrepender. Medo de optar por um caminho que não traga o retorno esperado.

Ao mesmo tempo, os pais também vivem suas próprias angústias. Querem proteger, orientar, evitar sofrimento, oferecer segurança. Nem sempre é simples encontrar a medida entre estar presente e permitir que o filho construa o próprio caminho.

É nesse ponto que a comunicação se torna central. 

Quando o jovem sente que precisa ter uma resposta pronta, pode se fechar. Por outro lado, quando percebe que suas dúvidas serão acolhidas, encontra mais espaço para pensar junto e se abrir. 

Ao notar que pode falar sem precisar resolver tudo imediatamente, a conversa se torna possível.

O papel da família se torna fundamental: sustentar o processo ao lado do jovem, apoiar, ampliar possibilidades, ajudá-lo a reconhecer seus desejos, considerar a realidade e construir seus próprios critérios. 

Quando há espaço para diálogo, a decisão profissional deixa de ser um ponto de tensão e se torna uma oportunidade de aproximação. 

Os pais não terão todas as respostas, mas poderão estar lado a lado, conversando sobre expectativas, medos e frustrações, de ambos, e olhando juntos para possibilidades e caminhos. 

Assim, a escolha profissional também acontece em meio às relações que sustentam o jovem, às referências que recebe e conversas que consegue ter.

Talvez a questão mais importante não seja somente o que ele vai escolher, mas como podemos estar ao lado dele nesse processo. 

Essa conversa tem acontecido na sua casa ou com os jovens ao seu redor?

Fontes:

Carta aos pais: uma estratégia de comunicação do filhos sobre a escolha da carreira | Maria M. Manaia, Ana P. Medeiro, Gabriel A.G. Santos, Lucy L. M. Silva. 

Adolescência, Família e Escolhas: implicação na orientação profissional | Maria Elisa Grijó G. de Almeida e Luis V. de Pinho. 

 
 
 

Comentários


bottom of page