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A escolha profissional como experiência compartilhada

  • 11 de jun.
  • 2 min de leitura

Quem convive com adolescentes percebe que raramente estão sozinhos.

Estão em grupo, em trocas constantes, compartilhando referências, opiniões e vivências. É nesse espaço, muitas vezes invisível para os adultos, que muita coisa acontece.

Na adolescência, o grupo ganha centralidade. Os pares se tornam referência, o pertencimento passa a ser fundamental e o olhar do outro ganha força. O jovem começa a se perguntar sobre si, e, muitas vezes, a resposta passa pelo outro.

Parte de quem somos se constrói em relação, nas trocas, nas identificações e também nas diferenças. Na adolescência, esse processo se intensifica. O jovem se descobre ao mesmo tempo em que se compara, se aproxima e se diferencia.

Quando falamos de grupo, não se trata apenas de um conjunto de pessoas. Um grupo se organiza em torno de algo em comum, uma busca, uma experiência, um objetivo. Na orientação profissional, esse ponto comum entre os jovens aparece: fazer uma escolha profissional. Antes, pensar o seu futuro, sustentar e elaborar dúvidas para construir uma decisão possível.

É nesse contexto que o grupo se torna tão potente.

Quando o jovem está sozinho, suas dúvidas podem parecer únicas. No grupo, elas se transformam. Ele percebe que outros também não sabem, que outros também têm medo, que existem diferentes caminhos possíveis.

O que parecia “só meu” passa a existir também no outro.

O grupo possibilita troca, identificação, empatia e pertencimento. Muitas vezes surge um efeito de alívio importante, pois a dúvida deixa de ser solitária.

Além disso, o grupo funciona como um espaço de mediação entre o mundo interno, feito de dúvidas, desejos e inseguranças, e o mundo externo, com suas possibilidades, exigências e realidades; facilitando a escolha profissional. O trabalho ali ajuda o jovem a nomear, organizar e elaborar o que antes parecia confuso. 

Em um contexto social marcado por comparação, desempenho e pressão por resultados, o grupo possibilita uma experiência diferente; a da cooperação, escuta e construção conjunta. Os adolescentes podem construir seus caminhos juntos.

A orientação profissional em grupo amplia o processo e sua potência ao inserir o jovem nesse espaço relacional.

Se o adolescente se constrói no encontro com o outro, faz sentido que suas escolhas também passem por esse espaço.

Você já percebeu como os jovens se transformam quando estão em grupo?

FONTES:

Orientação vocacional: contribuições clínicas e educacionais. | Marina Muller.

Enfoque psicodinâmico para orientação profissional em grupo: Uma experiência brasileira de 40 anos | Marcelo Ribeiro, Maria da Conceição Uvaldo, Fabiano Silva e Yvette Lehman. 

Orientação Profissional em grupo como processo afetivo-cognitivo integrador | Yvette Lehman e María Pezo.

 
 
 

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