IA, autoria e pensamento crítico: o papel da instituição de ensino na formação de jovens que sabem escolher.
Atualmente, conseguimos acessar em poucos segundos uma quantidade enorme de informações sobre qualquer assunto, inclusive sobre cursos, profissões, mercado de trabalho e possibilidades de futuro.
Um jovem pode perguntar a uma inteligência artificial quais carreiras combinam com seus interesses, quais áreas estão em crescimento, quais profissões tendem a ser mais valorizadas ou quais caminhos parecem mais promissores.
Esse acesso fácil e rápido amplia repertórios, traz referências e abre possibilidades. Contudo, também nos leva a pensar sobre o preparo do jovem para escolher diante de tantas respostas disponíveis.
A inteligência artificial pode ser uma ferramenta importante de pesquisa e exploração, mas não substitui o processo de elaboração que uma escolha exige.
A escolha profissional não se constrói apenas pelo acúmulo de informações. Ela envolve a forma como o jovem compreende a si mesmo, reconhece seus interesses, lida com suas dúvidas, considera suas possibilidades e elabora critérios para tomar uma decisão.
O acesso à informação é diferente de uma orientação profissional.
Torna-se necessário, mais do que nunca, sustentar perguntas como: o que eu valorizo? Que tipo de vida imagino construir? Quais caminhos fazem sentido para mim? Quais expectativas são minhas e quais vêm do outro?
Essas questões não podem ser elaboradas em definitivo por uma ferramenta, mas pelo próprio jovem, com apoio e em contato com sua história, suas relações, seus desejos, seus limites e seu contexto.
A escola ocupa um lugar fundamental nesse processo. Formar jovens para o futuro implica ajudá-los a desenvolver pensamento crítico, autonomia e autoria.
É preciso questionar as informações disponíveis e não se apagar diante de influências e opiniões, inclusive aquelas dadas pela própria inteligência artificial. Ser autor é participar ativamente da construção do próprio futuro.
A informação ajuda o jovem a conhecer o mundo, mas a orientação o auxilia a organizar esse conhecimento, relacioná-lo à sua história e amadurecer sua decisão.
Na orientação, há espaço para olhar para medos e desejos, experimentar perguntas e construir sentidos antes de ser pressionado por respostas.
Quando uma instituição de ensino oferece ao estudante esse momento, ela amplia sua função formativa. Prepara o jovem para além de um resultado no vestibular, apoiando a construção de recursos internos e critérios para lidar com decisões importantes ao longo da vida.
Em tempos de respostas rápidas e prontas, formar jovens que saibam pensar, perguntar e escolher é uma tarefa fundamental da educação.
Fontes:
Artigo: ChatGPT e ferramentas de IA em sala de aula: como integrar sem substituir o pensamento crítico. José G.Junior, Hilke Costa, Hellyegenes Oliveira et al., 2026.
Autora: Raissa Carrara




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