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IA, autoria e pensamento crítico: o papel da instituição de ensino na formação de jovens que sabem escolher.

17 de jul.
2 min de leitura

Atualmente, conseguimos acessar em poucos segundos uma quantidade enorme de informações sobre qualquer assunto, inclusive sobre cursos, profissões, mercado de trabalho e possibilidades de futuro.


Um jovem pode perguntar a uma inteligência artificial quais carreiras combinam com seus interesses, quais áreas estão em crescimento, quais profissões tendem a ser mais valorizadas ou quais caminhos parecem mais promissores.


Esse acesso fácil e rápido amplia repertórios, traz referências e abre possibilidades. Contudo, também nos leva a pensar sobre o preparo do jovem para escolher diante de tantas respostas disponíveis.


A inteligência artificial pode ser uma ferramenta importante de pesquisa e exploração, mas não substitui o processo de elaboração que uma escolha exige.


A escolha profissional não se constrói apenas pelo acúmulo de informações. Ela envolve a forma como o jovem compreende a si mesmo, reconhece seus interesses, lida com suas dúvidas, considera suas possibilidades e elabora critérios para tomar uma decisão.

O acesso à informação é diferente de uma orientação profissional.


Torna-se necessário, mais do que nunca, sustentar perguntas como: o que eu valorizo? Que tipo de vida imagino construir? Quais caminhos fazem sentido para mim? Quais expectativas são minhas e quais vêm do outro?


Essas questões não podem ser elaboradas em definitivo por uma ferramenta, mas pelo próprio jovem, com apoio e em contato com sua história, suas relações, seus desejos, seus limites e seu contexto.


A escola ocupa um lugar fundamental nesse processo. Formar jovens para o futuro implica ajudá-los a desenvolver pensamento crítico, autonomia e autoria.


É preciso questionar as informações disponíveis e não se apagar diante de influências e opiniões, inclusive aquelas dadas pela própria inteligência artificial. Ser autor é participar ativamente da construção do próprio futuro.


A informação ajuda o jovem a conhecer o mundo, mas a orientação o auxilia a organizar esse conhecimento, relacioná-lo à sua história e amadurecer sua decisão.


Na orientação, há espaço para olhar para medos e desejos, experimentar perguntas e construir sentidos antes de ser pressionado por respostas.


Quando uma instituição de ensino oferece ao estudante esse momento, ela amplia sua função formativa. Prepara o jovem para além de um resultado no vestibular, apoiando a construção de recursos internos e critérios para lidar com decisões importantes ao longo da vida.


Em tempos de respostas rápidas e prontas, formar jovens que saibam pensar, perguntar e escolher é uma tarefa fundamental da educação.


Fontes:

Artigo: ChatGPT e ferramentas de IA em sala de aula: como integrar sem substituir o pensamento crítico. José G.Junior, Hilke Costa, Hellyegenes Oliveira et al., 2026.

Autora: Raissa Carrara


 
 
 

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